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Marisa
Fonseca Diniz
Não há nada mais desagradável do que entrar em uma rede
social e se sentir um estranho no ninho, a cada dia que passa mais e mais redes
sociais surgem no intuito de unir pessoas aos mesmos interesses. O intuito
principal das redes sociais é conectar pessoas aproximando-as e permitindo que
elas compartilhem conteúdos diversos, que as favoreçam no fechamento de
negócios ou no marketing de produtos e serviços.
No entanto, a quantidade de pessoas carentes de atenção que
estão surgindo nas redes sociais tem espantado diversas outras pessoas que
procuram as redes sociais na intenção de criar conexões saudáveis. A rede
social Threads desenvolvida pela Meta é um exemplo típico de como os usuários
nesses últimos anos mudaram o foco principal da rede criada em julho/2023.
A rede Threads foi desenvolvida com o foco principal de ser
uma concorrente da Rede X, antigo Twitter, focada em conversas públicas em
tempo real como um microblogging, permitindo que seus usuários compartilhem
mensagens de textos, fotos, vídeos e links. Inicialmente, quando a rede foi
lançada ela possuía apenas 10 milhões de usuários, atualmente são mais de 141,5
milhões tendo a Índia com o maior número de usuários 54,2 milhões, seguido pelo
Brasil com 36,4 milhões e os Estados Unidos com 26,1 milhões.
Estudos recentes indicam que houve um aumento significativo
de pessoas emocionalmente carentes com dependência afetiva nas redes sociais,
muitas vezes essa dependência está associada à solidão, necessidade constante
de validação de outras pessoas e baixa autoestima. O que pode ser percebido na
rede Threads, por exemplo, pela quantidade de postagens diárias que as pessoas
fazem exibindo suas conquistas materiais, tais como carros, apartamentos,
utensílios e até mesmo relacionamentos e emprego.
A necessidade de se sentir reconhecido e amado por outras
pessoas estranhas nas redes sociais é vista pela psicologia como uma
necessidade de exibição afim de obter aprovação imediata, além de reconhecimento
e amor de desconhecidos, ou seja, é a busca constante por validação social.
Comportamento que transforma interações digitais em provas de valor pessoal,
onde as curtidas e os comentários funcionam como medidas facilitadoras para se
sentirem aceitas e amadas pela sociedade digital, amenizando a dor da solidão.
Outro fator negativo que vem surgindo nas redes socais é a
quantidade de pessoas reclamando e denigrindo a imagem de ex companheiros(as)
na tentativa de culparem o outro sem assumir a responsabilidade pelos próprios
erros, um complexo alimentado pela cultura digital e por mecanismos
psicológicos de defesa.
Estudos e especialistas apontam diversos fatores sobre esse
tipo de comportamento, tais como:
Necessidade de Validação e Apoio
Quando a pessoa expõe sua dor ou fala mal do seu ex, ela
apenas está buscando validação social e aprovação externa, acreditando ser a
vítima por não ter dado certo o seu relacionamento e que a sua narrativa é a
mais aceitável.
Defesa Psicológica – Projeção
Culpar o ex é mais fácil do que passar pelo luto da
ausência e analisar a sua própria conduta no relacionamento, criando um ciclo,
onde a própria pessoa se concentra na visão dos defeitos do outro, a fim de não
assumir os próprios.
Narcisismo e a Cultura da Imagem
As redes sociais promovem a cultura narcisista, onde os
usuários se exibem de uma forma a serem idealizadoras de si mesmas. Reclamar do
ex companheiro (ou companheira) cria uma fachada de que o problema é sempre o
outro, o que evita o confronto com os próprios erros e faz com que a outra
pessoa seja realmente o problema cegando dessa maneira o próprio ego.
Dificuldade em Desapegar e vivenciar o luto
A exposição nas redes sociais dos próprios problemas impede
que as pessoas vivenciem o luto e o desapego de maneira saudável, o que faz com
que a própria pessoa fique presa no ciclo de mágoas e sofrimentos.
Gaslighting e Mecanismos de Controle
A exposição negativa nas redes sociais é uma tentativa de
controlar e desvalorizar o ex-parceiro, apenas como uma forma de criar uma
vingança emocional.
Outro fator desagradável que vem acontecendo nas redes
sociais é o surgimento de comentários maldosos feitos por haters que se
escondem atrás de perfis falsos (fakes). A conduta ilícita visa atacar,
perseguir e denegrir a honra de terceiros com a falsa sensação de anonimato
buscando aliviar suas próprias inseguranças. Os haters utilizam as redes
sociais para disseminar ódio como uma maneira de liberar as próprias
frustrações impulsionado por fatores emocionais e cognitivos, tais como inveja
e a necessidade constante de validação social.
Uso excessivo e compulsivo
A utilização da rede social de forma exagerada cria um
ciclo danoso aos problemas já existentes, tais como depressão, ansiedade e
dependência digital.
Busca incessante de validação
A dependência de aprovação social através de likes e
comentários nas publicações criam uma sensação de pertencimento.
Superexposição e Conteúdo Sensacionalista
O compartilhamento excessivo de informações pessoais ou
negativas atrai a atenção dos outros nas redes gerando hostilidade e
cyberbullying.
Comportamento agressivo Cyberbullying
Participação em brigas virtuais, assédio e hostilidade são
o reflexo do alto nível de ansiedade ou irritabilidade.
FOMO – Fear of Missing Out
É o medo exagerado de estar perdendo algo nas redes
sociais, se sentindo na obrigação de estar sempre verificando as novidades.
Ditadura do algoritmo
As redes sociais são projetadas para serem viciantes, o
sistema de notificações, curtidas e scroll infinito gerando uma descarga de
dopamina no cérebro, e quando ele não recebe estímulo o indivíduo sente
ansiedade, irritabilidade e um vazio existencial.
Comparação social e baixa autoestima
As redes sociais estão sempre incitando as pessoas a terem uma
vida perfeita, o que gera comparações constantes e resultando sentimentos de
baixa autoestima e comportamento autodepreciativos.
Isolamento e Substituição da Realidade
A maioria das pessoas utilizam as redes sociais como uma
maneira de escapar da vida real resultando em isolamento social, distanciamento
da família e distúrbios do sono.
As redes sociais quando utilizadas por indivíduos com saúde
mental fragilizada podem causar alterações emocionais, tais como euforia
exagerada, tristeza prolongada, irritabilidade constante, falta de foco, além
de aumentar a ansiedade e a depressão.
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