Marisa
Fonseca Diniz
Hoje decidi fazer este artigo de “humor negro” para podermos
analisar e refletir sobre a quantidade de besteiras que ouvimos diariamente,
principalmente de pessoas vividas, mas que não possuem argumentos convincentes
em suas respostas.
Em algum momento da vida, as pessoas irão se deparar com indivíduos
que gostam de estar no topo de uma função, mesmo que possa parecer insignificante,
mas que não sabem executar suas atividades de maneira satisfatória e tentam a
qualquer custo jogar a responsabilidade para cima dos outros.
Neste caso em específico, decidi relatar um antigo
problema no qual venho passando há quase dois anos, e tenho certeza que muitas
pessoas irão se identificar, pois é corriqueiro nos dias atuais. Quando lia
relatos de pessoas que ficavam doentes por terem sido expostas diretamente a
problemas semelhantes ficava pensando no tormento diário daquele transtorno, e
hoje sinto na pele o inferno que é viver com vizinhos que não respeitam a
individualidade alheia, por achar que estão acima de qualquer lei ou norma.
Há quase dois anos venho enfrentando problemas com um
vizinho e sua respectiva família que mora no andar de cima e que a qualquer
hora do dia e da noite faz barulhos ensurdecedores, pulam, correm, gritam,
jogam coisas pesadas no chão, e não adianta reclamar, pois são pessoas
extremamente agressivas, onde o diálogo é inexistente. Cansada de suportar o
barulho infernal diário, caí na besteira de reclamar para quem de direito
deveria zelar pelo conforto de todos os condôminos, ou seja, o síndico.
Este por sua vez deu de ombros e disse que nada poderia
fazer, pois não era a pessoa certa para responder por qualquer tipo de problema
que ocorresse nas dependências do condomínio, pois aceitou assumir esta função
apenas porque o anterior entregou o cargo, e não pagar o condomínio o fez
reconhecer uma boa oportunidade.
Lastimável? Calma que ainda há partes bem piores nesta
história, reclamar não adianta, por tanto gaste todas suas economias com
médicos, pois o estresse já faz parte do seu dia-a-dia, suas noites tranquilas
de sono ficaram completamente no passado. Depois, de longos dias escrevendo,
buscando uma recolocação profissional, pensando em como conseguir um bom
trabalho decido descansar e aproveitar o final de semana para ver aquele filme
que tanto queria, mas quando trabalhava não tinha tempo de assistir.
Eu disse descansar? Esqueça, final de semana chegou e seu
vizinho decidiu que nas quintas, sextas, sábado e domingo ele quer trazer os
netos para dentro de casa e deixá-los brincar livremente dentro do apartamento durante
as 24 horas do dia. Sem acústica, eles se sentem a vontade para fazer o barulho
que quiserem sem ter ninguém que os impeça pela algazarra, sem disciplina ou
limites. Mas, e o síndico nessas horas? Boa pergunta, ele é inacessível, e aos
finais de semana incluindo as sextas feiras ele não fica em casa, ou seja,
problema seu.
Passou a sua semana e final de semana com dor de cabeça,
insônia e nervoso? Problema exclusivamente seu e daqueles que assim como você
se veem prejudicados com o barulho incessante. Haja paciência e terapia psicológica para
tentar lhe dar com este incômodo, a falta de empatia por aqueles que se sentem
lesados com os constantes barulhos que parecem acontecer em cima da sua cabeça
literalmente tem colaborado com a construção de uma sociedade cada vez mais
permissiva, egoísta e tóxica.
Uma vez ou outra é possível entrar em um fórum de queixas
contra vizinhos e perceber que as reclamações vão muito além do barulho, dizem
respeito à omissão dos responsáveis em manter a ordem e a saudável convivência
entre os vizinhos. As barreiras impostas por aqueles que deveriam exercer a
função de administrar de maneira satisfatória sem tomar partido de uma ou outra
parte, tem feito com que o clima entre os envolvidos fique tenso e os condomínios
virem praças de guerra.
A inexperiência de moradores no posto de síndico tem mostrado
o despreparo de assumir um cargo tão importante e essencial que tem como
objetivo beneficiar todos os envolvidos, mas que ao mesmo tempo tem demonstrado
as mazelas da falta de consciência de que administrar não é ficar no posto sem
se comprometer com nada. Pessoas despreparadas acreditam que o cargo serve
apenas para ficar em uma posição superior que os demais moradores, mas não
percebem que com estas atitudes demonstram a falta de preparo e
responsabilidade em se impor diante dos problemas.
Reclamamos demais da falta de impunidade quando alguém é
pego roubando, destruindo ou matando, mas esquecemos de que esta mesma
impunidade pode começar dentro dos locais onde residimos, seja o condomínio ou comunidade,
e não percebemos o mal que esta atitude traz a todos as pessoas direta ou
indiretamente em longo prazo.
O que mais causa repúdio é quando reclamamos de algo que
está completamente errado indo contra uma norma ou lei, e aquele que tem a
obrigação de responder pelo papel de administrador responde com total escárnio
dizendo que não há barulho algum e sim que há “fantasmas”, ou seja, chamem o EXORCISTA. Sindico para quê?
Daqui em diante esqueçam o papel de síndico e contratem
um exorcista para resolver todos os problemas de um condomínio. Achou estranho?
Pois foi justamente esta a resposta que obtive de um cidadão de mais ou menos
60 anos de idade, que sem retórica adequada para as minhas críticas quanto à
gestão de péssima qualidade teve o despautério de me responder.
Daqui em diante o lema dos edifícios deveria ser esse:
Problemas com o elevador? Chame o exorcista.
Problemas de barulho? Chame o exorcista.
Problemas de vazamento? Chame o exorcista.
Problemas com a parte elétrica? Chame o exorcista.
Problemas com o portão elétrico? Chame o exorcista.
Problemas com invasões? Chame o exorcista.
Problemas com a garagem? Chame o exorcista.
Problemas de quedas de objetos? Chame o exorcista.
Problemas com lixos sendo atirados pela janela? Chame o
exorcista.
Problemas com brigas entre os condôminos? Chame o
exorcista.
Não há moradores vivos nos edifícios e sim fantasmas, os incômodos
acabaram, a única pessoa capaz de resolver todos os problemas é:
O EXORCISTA
O melhor a fazer é rir para não chorar de raiva!
Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de
1998. É PROIBIDO copiar, imprimir ou
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O trabalho Problemas com barulho? Chame o exorcista! de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://cafesonhosepensamentos.blogspot.com/2019/02/problemas-com-barulho-chame-o-exorcista.html.


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