Marisa
Fonseca Diniz
Foi-se o tempo em que os relacionamentos pessoais eram
baseados no amor, na conquista ou na inocente troca de olhares, depois do
surgimento da internet e das redes sociais tudo ficou banalizado. Não há mais
encontros, conversas e passeios saudáveis, os aplicativos encurtaram este
caminho.
As pessoas acessam plataformas de encontro e basta um
simples toque para escolher a mercadoria que buscam, e magicamente o tão
almejado produto aparece na tela, seja do computador ou celular.
Antigamente, as pessoas precisavam ir aos bailes de
garagem, as lanchonetes aos finais de semana ou serem apresentados por amigos e
irmãos para conversar e encontrar quem talvez tivesse mais chances de ter um
encontro. Fletar, frio na barriga, troca de olhares, mãos suadas é passado
perto do que as pessoas são capazes de fazer nos dias atuais.
Atualmente, as pessoas pulam os preliminares e vão direto
aos finalmentes sem o menor pudor, e em menos de 24 horas já estão fazendo
juras de amor eterno nas redes sociais. “Eu te amo” virou a expressão mais
descartável do planeta. Mais do que depressa o circo é armado nas redes
sociais, fotos são publicadas aos montes de todos os momentos íntimos do novo
casal, declarações amorosas vazias e cheias de intenção entopem os feed das
redes, uma falsa felicidade paira no ar, apenas para dizer aos amigos virtuais
que a vida é maravilhosa.
Na vida real não há tantos holofotes parece ser sem
graça, as pessoas nem sabem quem é o fulano e o cicrano, a correria do
dia-a-dia não permite que haja muita atenção, e os relacionamentos são apenas
mais um na multidão. Os consultórios de psicologia e psiquiatria ficam lotados
em determinadas épocas do ano, todos querem mostrar aquilo que não são no mundo
virtual.
As poses nas fotos devem estar acima de qualquer suspeita
aja filtros e photoshop, pois o peito caído precisa parecer enxuto, a bunda
precisa parecer chapada, os músculos precisam parecer bem contornados e
volumosos, a pele precisa parecer de pêssego sem nenhuma acne ou mancha, os
cabelos bem tingidos e tratados, as unhas pintadas com cores da última
tendência, roupas e acessórios da moda, celular último modelo, a vida tem que
ter apenas aparência e o cérebro?
Bom ninguém nunca precisou de inteligência para
conquistar ninguém pela internet, basta algumas frases prontas e disponibilidade
para quando a conversa ficar mais picante do que o normal e sair correndo para
o abraço. A vida é uma eterna aventura para quem busca diversão a qualquer
custo nas redes de paquera, sempre tem aquele que acredita que seja o meio mais
curto para se encontrar a sua cara metade, raridade, mas para a grande maioria
dos frequentadores há sempre a desculpa de que é o melhor meio para se
conseguir algo, já que conhece sempre alguém que teve a sorte de conhecer pela
internet seu parceiro atual.
A impessoalidade da internet fez aflorar o lado obscuro
das pessoas, nem todas estão no mesmo propósito, muitas na verdade estão
tentando superar seus problemas neurológicos ou psicológicos nos braços de
outro indivíduo. Manias, esquisitices, obsessões tudo faz parte do jogo da
conquista, alguns têm alguma sorte de encontrar alguém sã, outros nem tanto e
acabam caindo na armadilha inescrupulosa de maníacos doentes e pervertidos. A
curiosidade de conhecer com quem se tecla tem feito vítimas ingênuas e inocentes
virarem notícia nas páginas e boletins policiais.
A internet pode parecer um campo minado para alguns e
para outros apenas um território livre. Aos possessivos um prato cheio para a
dúvida, aos desequilibrados uma fonte de informação, aos invejosos uma maneira
de denegrir a imagem alheia e por aí segue o barco na imensidão do oceano
conhecido como internet.
Quando o relacionamento fica escancarado nas redes
sociais, a guerra fica armada, o companheiro ou a companheira se quer pode
curtir ou comentar uma foto, que logo vem a desconfiança de uma traição,
aplicativos de mensagens se tornam alvo constante das brigas de casal,
conversar com alguém que não seja um familiar pode causar a exclusão do perfil
social.
Atitudes como estas só tem demonstrado o quanto as
pessoas estão psicologicamente perturbadas com necessidade imediata de mostrar
que estão bem, tem alguém em suas vidas medíocres, e que a internet pode
esfregar na cara daquele desafeto passado que a vida está mil maravilhas. E se
nada disso der certo, o melhor a fazer é excluir as fotos, o status e excluir
das redes todos os envolvidos nesse pseudo caso de amor, pois no final a
internet teve seu papel de protagonista nessa história vazia, mas também foi a
mesma que destruiu tudo.
Seja real em tudo que se propor a fazer, que a internet
seja apenas uma ferramenta para divulgar coisas boas, e que ela não seja usada
de má fé e tão pouco seja a causadora principal de separação de casais. Saiba
conquistar de maneira positiva e não se vislumbre com conversas moles que não
levarão a lugar algum, antes poderão trazer mais consequências negativas do que
positivas. Nada de “até que a internet os separe”, e sim até “que a morte os
separe”, pois nenhum relacionamento resiste a interferência de familiares,
imagine de estranhos virtuais?
Que a vida seja preenchida por atitudes e pessoas
positivas que possuem muito a acrescentar e não por pessoas que levem a
caminhos tortuosos, caso contrário, as pessoas continuarão vazias e cheias de
traumas e dramas, nunca encontrarão a sua cara metade ou um sentido para a
vida. Dê o seu melhor e faça com que a vida do outro encontre paz estando em
sua presença.
Pense sobre isso, faça a diferença na sua e na vida do outro!
Artigo protegido pela Lei 9.610 de 19 de fevereiro de
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O trabalho ...até que a internet os separe! de Marisa Fonseca Diniz está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em https://cafesonhosepensamentos.blogspot.com/2018/02/ate-que-internet-os-separe.html.

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