Um sonho


Eugênio de Castro


Na messe, que enlourece, estremece a quermesse...
O sol, celestial girassol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo a fina flor dos fenos...

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves
Suaves...
(...)

Três da manhã. Desperto incerto...
E essa quermesse?
E a Flor que sonho? e o sonho?
Ah! tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz, luz com
lumes amenos,
Chora o vento lá fora, à flor dos
flóreos fenos...

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