Trem de Ferro


Manuel Bandeira



Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Oô...

Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede

Oô...

Vou mimbora
Vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri

Oô...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

Um comentário:

  1. Um poema que me fez recordar os primeiros anos do curso ginasial, nos anos 1962/63. Meu professor de português, ótimo, excelente, era também poeta. Lembro que declamamos essa poesia na forma de um jogral, num evento havido no Seminário São José de Cerro Largo - RS.
    Só não lembro se eram só esses versos. Tenho vaga impressão de que havia mais versos, pois falava de diversas situações. Muito bom o poema, descrevendo um fato pitoresco, na época em que ocorreu a implantação de ferrovias no Brasil.

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