O Carvalho e a Cana



Fábulas de La Fontaine



Às margens de um campo de trigo-mouro, um grande carvalho se elevava em direção ao céu.

Era uma planta magnífica; tinha um grande tronco robusto e maciço, uma espessa folhagem muito verde que se podia ver as milhas e milhas de distância.

Perto do campo, à margem de um fosso, crescia uma cana alta e fina, com as longas folhas em forma de lança, de uma pálida cor verde prateada.

Um dia, o carvalho majestoso dirigiu a palavra à cana:

- Eu morro de pena de você, coitadinha, o destino não lhe foi generoso, não é? É tão fraquinha, que mão pode aguentar nem ao menos o peso de um passarinho e o mínimo sopro de vento a faz baixar até o chão.

Olhe para mim: nos meus galhos, ao contrário, há ninhos em quantidade e alegres cantos de pássaros se cruzam ao meu redor do amanhecer ao pôr do sol.

O mais forte temporal nunca me tirou do lugar, a minha folhagem pode abrigar da chuva um pequeno exército.

A cana escutava, atenta.

- Se pelo menos – retornou o carvalho – você tivesse nascido e crescido ao meu lado! Eu a teria abrigado e protegido. Mas você está aí, à beira do fosso, ao sabor das intempéries!

- As suas palavras são ditadas pelo bom coração e eu lhe agradeço, grande carvalho rebateu imediatamente a cana. Mas o meu destino não é assim tão amargo como você fala. O vento me maltrata, é verdade, mas não consegue me quebrar e, assim que ele vai embora, eu levanto a cabeça de novo.

- Bobagens! – resmungou o carvalho.

E sacudiu a grande folhagem verde, aborrecido por ter sido contrariado por aquela plantinha insignificante.

Dali a pouco o céu começou a cobrir-se de nuvens ameaçadoras, ficou escuro como de noite e irrompeu o mais assustador furacão que se possa imaginar, com rajadas de vento violentíssimas.

Abalroado em cheio por aquela fúria descontrolada, o grande carvalho caiu no chão com um estrondo, a sua folhagem verde foi arrastada para longe e se espalhou, as raízes foram arrancadas da terra.

A humilde cana, abaixada no fosso, resistiu. E quando o céu ficou calmo, levantou novamente a cabeça para o azul.

MORAL DA HISTÓRIA: NUNCA DESDENHE DE QUEM VOCÊ ACHA SER MAIS FRACO DO QUE VOCÊ. POIS, ATÉ MESMO UM SIMPLES VENTO PODE DERRUBAR OS QUE PARECEM MAIS IMPONENTES.
 



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